sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Minimalista

Eu estou bem longe de ser minimalista.
Mas tem algo aí que me encanta. Talvez a praticidade ou o desapego. Sei lá.
Sou prática, mas me apego em algumas coisas, esse aconchego faz parte de mim.

Com vocês, o apartamento do Alex Castro. Vale a pena ver esse modo de vida!

Cresci em um apartamento de 600m2 em frente à praia. Hoje, moro em um conjugado de 22m2 em Copacabana, menor do que meu antigo quarto. Nunca estive tão feliz. Eu me preencho muito bem.

Passo a maior parte do dia dentro, lendo e escrevendo. Não me sinto preso, nem claustrofóbico.

Apesar de mínimo, o apartamento é incrivelmente amplo. O chão de azulejo branco ilumina e clareia o ambiente. Não existem móveis altos para bloquear a vista ou a passagem.

Não existem gavetas nem armários — só aqueles embaixo da pia da cozinha, onde ficam pás, baldes e material de limpeza.

Todos os apetrechos de cozinha, inclusive a própria comida, ficam nas estantes acima da pia. Bem à mostra. De fácil acesso.

Coloco toda a comida em potes. Tiro as embalagens dos alimentos. Não coloco ímãs na geladeira. Nada de passar meu dia encarando pacotes de produtos e logotipos de marcas. Sem poluição visual.

Não existem mesas nem cadeiras — eu trabalho de pé, no bar americano. (Em breve, um texto sobre trabalhar de pé.)

Minhas poucas roupas ficam no closet: as de vestir, em uma arara, as de cama e banho, em uma estante.
Tenho três pares de sapatos e três pares de havaianas. Dois jeans. Dois casacos. Um blaser. Uma camisa social. Uma calça social. Umas doze camisetas. Dois jogos de cama de casal — um pra dormir com o Oliver, meu cachorro, outro pra dormir com a namorada, que prefere não dormir na mesma roupa de cama que o cachorro. Um jogo de solteiro para convidados. Um jogo de toalhas de banho.

Quando estou sozinho, durmo onde caio. No chão de azulejo — muito fresco, no verão. Na rede — onde quase sempre estou lendo. No futon vermelho, que é de solteiro, ou no ameixa, que é de casal.
Apesar do espaço exíguo, tenho estrutura para receber até mesmo dois convidados: dormem no futon de casal e eu, no de solteiro.

A paleta de cores é simples: branco pra dar área, volume e iluminação. Vermelho, em duas paredes, para dar vida. Detalhes em amarelo: esquadria da janela, porta do banheiro e do closet, etc. Cozinha com grande parte dos utensílios em verde.
A casa não tem objetos decorativos. Não existe nada que não tenha função prática.

Única exceção: três fotos da cidade de Nova Orleans, onde morei por um tempo, e que comprei para ajudar o fotógrafo. Estou procurando alguém que leve daqui.

Aliás, a casa funciona assim. Gostou de alguma coisa? Leva.

Hoje de manhã, dei meu carrinho de feira para uma senhora no elevador que vinha carregando duas sacolas claramente pesadas demais para ela. A senhora não tem carrinho?, perguntei. Meu filho, ela disse, estou sempre pra comprar e adio. Dei o meu. Estou de dieta, comendo cada vez mais menos quantidade, nunca mais precisei do carrinho.

Assim, dia a dia, meus objetos vão diminuindo.

A casa ainda me parece muito atulhada. Todo dia é dia de se livrar de alguma coisa.

Já dei ou vendi mais de 80% dos meus livros. Dei todos os que amei mas que sabia que não leria de novo, assim como os que estão em domínio público e que posso ler no Kindle ou no computador. Fiquei apenas com aqueles que sabia que precisaria de novo para meu trabalho.

Essa semana, um amigo deve passar por aqui e levar quatro estantes inteiras da sala. Então, quando eu finalmente estiver somente com os livros que quero ter, será hora de arrumá-los de verdade.

Essa é a minha casa. Como é a sua?






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